| Verão na praia, doenças de pele à vista! |
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15-01-2008 | Utilidade Pública Nos meses de verão é fantástica a corrida em busca dos prazeres oferecidos pela temporada de praia. Neste fim de ano, no Litoral Norte de São Paulo, eram aguardados um milhão de turistas, lotando hotéis e pousadas, casas e apartamentos, na faixa litorânea que se estende de Bertioga a Ubatuba.
Quando retornam às suas cidades de origem, muitos destes turistas precisam procurar o dermatologista, por estarem com algum tipo de problema de pele. Quais seriam, então, os problemas de pele mais comuns, diagnosticados após o verão? Em primeiro lugar estão as infecções de pele produzidas por fungos, isto é, as micoses. São comuns as micoses de pés e de virilhas, adquiridas no verão. E isto é favorecido por andar descalço na areia, por permanecer com o calção de banho molhado por várias horas, por freqüentar lugares com muita gente e promiscuidade, por permanecer em praias sabidamente contaminadas por águas de canais (verdadeiros esgotos a céu aberto). Tudo isto representa maior exposição aos agentes infectantes, maior risco de adquirir doenças de pele. As infecções por bactérias não ficam muito atrás. Elas são causadoras não mais de micoses, mas sim das piodermites. São exemplos de piodermite o impetigo (com suas bolhas e crostas purulentas) e os furúnculos. Os fatores ambientais determinantes são praticamente os mesmos que facilitam as infecções por fungos. Muitos pacientes, sobretudo crianças, retornam das praias com os conhecidos "olhos-de-peixe" nos pés. Vários contam que pisaram "em-alguma-coisa que espetou o pé ", nesse local surgindo este tipo de verruga da sola do pé. Os causadores são vírus que pertencem ao grupo dos HPV (Human Papillo-ma Vírus). Cuidado com o limão! Fito-foto-dermatite é ocorrência comum, no verão. Muitos já passaram por essa experiência nada agradável. É fito (planta) porque decorre do uso do limão tipo taiti , o mais usado para fazer limonadas e caipirinhas, cujo sumo (ou suco) seca e fica nas mãos. Havendo a exposição ao sol (foto), mesmo que por um período tão curto como 10 a 15 minutos, o local fica com a pele vermelha e ardente, chegando a formar bolhas. É uma verdadeira queimadura que melhora após alguns dias, mas deixa uma mancha escura (que custa a desaparecer). Quem está espremendo o limão pode tocar em alguém e esta outra pessoa, que nada tinha a ver com a história, é que vai aparecer com a dermatite. Queimaduras solares, tão comuns antes, são hoje bem mais raras. As pessoas aprenderam a usar fotoprotetores. Mas nem todo mundo sabe que foto-protetor de consistência cremosa (portanto gorduroso) não pode ser usado por quem já tenha pele de natureza oleosa. É o caso de quem tem (ou teve) acne. Nestas pessoas pode surgir uma erupção de pequenas "espinhas", no peito e nas costas. Os europeus chamam esta erupção de "acne de Mallorca", o nome da ilha onde muitos passam suas férias de verão. Eu prefiro chamá-la de "foliculite das praias". Interessante dizer que no caso desta foliculite das praias pode se desenvolver uma levedura (leveduras são tipos de fungos) que se alimenta do material gorduroso presente nas pequenas espinhas. A levedura é do gênero Malassezia, e é importante destacar que ela é também responsável por aquelas manchas esbranquiçadas que rapidamente se espalham pelas costas, pescoço e tórax. Esta mico- se é chamada pelo médico de pitiríase versicolor, e o povo do Nordeste a chama de "pano branco". E o que falar do "bicho geográfico", que os médicos chamam de "larva migratória"? Continua sendo um problema freqüente, causador de terrível incômodo pela coceira, desesperadora, que provoca. As larvas causadoras são eliminadas nas fezes dos cães infestados e permanecem vivas, na areia, por largo tempo. Quando alguém pisa ou deita no areia contaminada, a larva penetra na pele. Não sendo capaz de se aprofundar, ela fica caminhando na epiderme, formando o trajeto todo sinuoso que deu nome à doença. Há vários outros problemas que poderiam ser postos em destaque. É o caso das "brotoejas" (os médicos preferem chamar de sudamina). Também das alergias a picadas de insetos. Quando estávamos redigindo esta crônica vimos na TV matéria informando sobre a invasão de águas-vivas no litoral de Itanhaem. São muitos os assuntos a tratar, não cabendo falar sobre todos.
Alguns cuidados podem prevenir doenças de pele Que conselhos podem ser dados? São óbvios. Lavar bem as mãos após ter manipulado o limão taiti. Usar foto-protetor tipo gel se a pele for, ela mesma, oleosa. Não ficar com calção de banho molhado, por várias horas. Ao caminhar na praia, usar calçados apropriados, que são simples mas protegem bem os pés. Coibir a ida de cachorros à praia. Ainda é tempo de recordar mais uma coisa. Se ficar com a água salgada na pele, esta se torna muito ressecada. Após o banho-de-mar, volte para casa e tome uma ducha, mas não use sabonetes comuns. Use sempre sabonetes macios e que contenham glicerina. Nota: Nelson Guimarães Proença é Professor Emérito de Dermatologia. |
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